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Em mensagens, Vorcaro chama Ciro Nogueira de “grande amigo” e autoriza suposto pagamento ao senador

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Em mensagens, Vorcaro chama Ciro Nogueira de “grande amigo” e autoriza suposto pagamento ao senador
Imagem da Rede Social

Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam proximidade entre o empresário e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro e uma das principais lideranças do centrão no Congresso. Nos diálogos, Vorcaro se refere ao parlamentar como “grande amigo de vida”, comemora uma emenda apresentada por ele que beneficiaria o Banco Master e chega a autorizar um pagamento a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”.

O material foi obtido durante a investigação sobre o Banco Master e já foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável por decretar a prisão preventiva de Vorcaro, cumprida pela PF nesta quarta-feira (4).

As mensagens mostram que Vorcaro mantinha conversas frequentes com o senador, que é presidente nacional do PP. Segundo investigadores, os diálogos tratam de assuntos políticos, amenidades e organização de encontros presenciais. Uma das mensagens, porém, aponta suposto pagamento ordenado por Vorcaro a Ciro. Até o momento, não há inquérito formal aberto contra o senador no âmbito da investigação.

Emenda que beneficiaria o Master

Em uma troca de mensagens com sua companheira, a blogueira Martha Graeff, Vorcaro apresenta o senador como alguém muito próximo. “Ciro nogueira. É um senador. Muito amigo meu. Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”, escreveu o banqueiro em maio de 2024.

Meses depois, ele voltou a citar o parlamentar ao comentar uma iniciativa legislativa apresentada por Nogueira. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Esta todo mundo louco”, escreveu Vorcaro. Martha respondeu: “Wow amor. Louca pra saber de tudo ao vivo”.

A conversa ocorreu em 13 de agosto de 2024, data em que o senador apresentou uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da autonomia financeira do Banco Central. O texto sugeria elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF.

O modelo de negócios do Banco Master estava fortemente baseado na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com garantia do FGC. Com a ampliação do teto de cobertura, os títulos emitidos pela instituição passariam a contar com proteção maior para investidores.

Por causa desse impacto potencial, a proposta ficou conhecida nos bastidores do mercado financeiro e do Congresso como “emenda Master”. A iniciativa acabou não avançando após resistência de entidades ligadas ao setor bancário e a PEC segue parada no Senado.

Autorização de pagamento

Além das mensagens sobre a emenda, a PF identificou indícios de um possível pagamento associado ao nome “Ciro”. Em maio de 2024, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como seu operador financeiro, enviou ao banqueiro uma lista com solicitações de repasses.

“Preciso que me ordene as prioridades. […] 2. Pagamento pra Ciro”, escreveu Zettel. Na sequência, Vorcaro autorizou os pagamentos mencionados na lista.

Os investigadores ainda não tiveram acesso aos dados bancários relacionados à transação e, por isso, não confirmaram se o destinatário era o senador ou outra pessoa com o mesmo nome.

Outra conversa analisada pela investigação envolve o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP). Na mensagem, o parlamentar sugere um encontro virtual com o senador. “Oi, amigo, precisamos fazer a vídeo conferência [sic] eu vc e Ciro”, escreveu Pinato. Vorcaro respondeu: “Opa. Vamos. Só me chamar”.

As mensagens também mostram que o banqueiro demonstrava interesse em participar de eventos da família do senador. Em diálogo com Martha Graeff, ele menciona o casamento de Duda Nogueira, filha de Ciro, realizado em agosto de 2024, e afirma que gostaria que a companheira o acompanhasse na cerimônia.

Procurado, Ciro Nogueira afirmou conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e qualquer pagamento relacionado ao caso. “Inferir que se refere a mim, senador Ciro Nogueira, é definitivamente uma mentira fabricada na tentativa de manchar minha biografia”, declarou.

Em outro posicionamento enviado por sua assessoria, o senador disse que troca mensagens com muitas pessoas. “Ciro Nogueira volta a destacar que está tranquilo quanto às investigações da Polícia Federal nas denúncias que envolvem o empresário, uma vez que não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração.”

A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou. Investigadores continuam analisando os dados extraídos do celular do banqueiro para verificar se há indícios de crimes envolvendo agentes políticos no escândalo que atingiu o Banco Master.

Direita e centrão em peso no celular de Vorcaro

Os ânimos estão à flor da pele em Brasília ferveu nesta quarta-feira (4) após a Polícia Federal cumprir mandados de prisão contra o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu sócio e cunhado, Fabiano Zettel. A ordem partiu do ministro do STF, André Mendonça, motivada por uma descoberta estarrecedora: o grupo estaria planejando ataques físicos e atos de violência extrema, que poderiam incluir agressões ou até assassinatos, contra desafetos e jornalistas, entre eles Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Mas histeria tomou conta mesmo do ambiente com as primeiras revelações do que foi extraído do iPhone 17 de Vorcaro, apreendido numa operação anterior. O aparelho, identificado por investigadores como o número “comercial” do banqueiro, mostrou uma agenda que funciona como um verdadeiro mapa do poder bolsonarista na Câmara dos Deputados. A Fórum confirmou com uma fonte ligada à CPMI do INSS os dados que vinham ventilados desde as primeiras horas da manhã por internautas. São, de fato, 18 nomes de parlamentares e ex-parlamentares encontrados no dispositivo, todos ligados à direita e à extrema direita, e por consequência, ao bolsonarismo. Não há um único registro de integrantes do PT, PCdoB, PSB ou de qualquer legenda da base governista.

A análise partidária dos 18 nomes revela o DNA bolsonarista da agenda de Vorcaro: o PL lidera com 5 representantes, seguido pelo PP com 4, o PSD com 3, enquanto Republicanos e Novo aparecem com 2 cada, e as legendas União Brasil e PSDB fecham a relação com 1 nome cada.

A lista dos 18: O núcleo duro do celular de Vorcaro

Abaixo, os nomes encontrados na agenda institucional do banqueiro preso, que incluem desde o atual presidente da Câmara até figuras centrais da atual oposição:

Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) – Deputado federal

Altineu Côrtes (PL-RJ) – Deputado federal

Arthur Lira (PP-AL) – Deputado federal (ex-pres. da Câmara)

Bilac Pinto (União Brasil-MG) – Ex-deputado federal

Diego Coronel (PSD-BA) – Deputado federal

Doutor Luizinho (PP-RJ) – Deputado federal

Fábio Mitidieri (PSD-SE) – Ex-deputado federal

Fausto Pinato (PP-SP) – Deputado federal

Flávia Arruda (PL-DF) – Ex-deputada federal

Hugo Motta (Republicanos-PB) – Deputado federal (atual pres. da Câmara)

João Carlos Bacelar (PL-BA) – Deputado federal

Lucas Gonzalez (Novo-MG) – Ex-deputado federal

Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG) – Deputado federal

Márcio Marinho (Republicanos-BA) – Deputado federal

Nikolas Ferreira (PL-MG) – Deputado federal

Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) – Deputado federal

Rodrigo Maia (PSD-RJ) – Ex-deputado federal (ex-pres. da Câmara)

Vinicius Poit (Novo-SP) – Ex-deputado federal

O moralista Nikolas, do jatinho de campanha, está lá

O nome de Nikolas Ferreira (PL-MG) salta aos olhos na lista do celular de Vorcaro não apenas pela sua postura de paladino da moralidade nas redes, mas pela reincidência. A presença do deputado mineiro na agenda ocorre apenas 24 horas após vir a público que Nikolas utilizou o jatinho privado do banqueiro durante a campanha de 2022.

Enquanto discursava para as bases bolsonaristas, o parlamentar cruzava o céu em uma aeronave cedida pelo bilionário agora preso por planejar atentados a jornalistas. O uso do jatinho em agendas vinculadas à reeleição de Jair Bolsonaro (PL) já havia inserido o banqueiro no radar político-eleitoral, mas a lista do iPhone 17 mostra que a conexão era direta e catalogada.

A tentativa frustrada de “terceirizar” o escândalo

Desde que as irregularidades envolvendo o Banco Master e Vorcaro começaram a emergir, parlamentares bolsonaristas tentaram criar uma cortina de fumaça, buscando empurrar o escândalo para o colo do governo Lula (PT). No entanto, os fatos são teimosos.

As investigações mostram que o trânsito de Vorcaro era exclusivamente dentro do campo da direita e extrema-direita. O fato de o aparelho “comercial” concentrar figuras como o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL), reforça que o banqueiro mantinha uma rede de interlocução institucional de altíssimo nível, mas estritamente restrita a um espectro político.

A ausência de qualquer nome de esquerda ou centro-esquerda na lista desmonta a narrativa de “escândalo generalizado” e isola o caso como um imbróglio que nasce e se cria dentro dos gabinetes mais próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

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