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Grupo usava dinheiro de venda de armas a facção para revender carros na Região Metropolitana; 19 são presos em operação

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Grupo usava dinheiro de venda de armas a facção para revender carros na Região Metropolitana; 19 são presos em operação
Imagem da Rede Social

Um grupo especializado na venda de armas de fogo e no fornecimento a facções é alvo de operação da Polícia Civil nesta terça-feira (2). Até o momento, 19 pessoas foram presas. Também foram apreendidos quatro veículos e R$ 30 mil. Os alvos prestavam serviço a uma das principais organizações criminosas do Rio Grande do Sul, com atuação no Vale do Sinos. 

Foi descoberto ainda um esquema de lavagem de dinheiro — que movimentou ao menos R$ 13 milhões — em empresas de fachada e revendas de veículos. Alguns membros atuavam como operadores financeiros e usavam o dinheiro das armas para a compra de carros para as lojas. A polícia identificou dois estabelecimentos: um deles era de fachada e não tinha operação. Já outro opera normalmente em Gravataí, na Região Metropolitana.

São cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, sendo três dentro do sistema prisional. O grupo atuava principalmente nas cidades de Cachoeirinha e Gravataí. A ação prevê o sequestro de 36 veículos, todos obtidos com a venda das armas.

Um dos alvos é sócio da revenda citada. Conforme o delegado Wesley Lopes, do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), o dinheiro de origem ilegal era utilizado de forma parcial no estabelecimento. Ou seja, parte das vendas era feita de forma lícita.

— Tinham revendas de veículos que eram utilizadas somente para isso, então, era uma empresa de fachada. Ela não tinha nem a característica de uma empresa de revenda de veículo propriamente dita. As outras empresas realizavam revenda de veículo legais, no entanto, utilizavam parte dessa empresa para lavar o dinheiro — explica Lopes.

Líder de facção está entre alvos

A Polícia Civil não divulga os nomes, mas a reportagem de Zero Hora apurou que entre os alvos está Juliano Biron da Silva, apontado como um dos líderes da principal facção do Rio Grande do Sul. O núcleo investigado prestava serviços à organização.

Biron foi condenado pelo assassinato do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, 22 anos, em Canoas, na Região Metropolitana. O crime aconteceu em 2015.

Ele estava foragido até setembro do ano passado, quando foi localizado na Bolívia. Desde então, está detido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. As investigações do Denarc apontaram que ele intermediava o esquema entre o núcleo e a facção.

Em mensagens obtidas pela polícia, Biron se mostra inconformado quando um dos membros do grupo investigado cobra a entrega de armas para um outro membro da facção. Foi a partir desse material que os policiais passaram a investigar a atuação desse grupo.

— Ele utilizava desse núcleo quando necessitava de armamento e também das questões financeiras. O núcleo estava a serviço da facção, logo, a serviço dele — afirma Lopes.

A situação deu nome à operação, batizada de Penhor. A ação cumpre ao todo 94 ordens judiciais, entre prisões, busca e apreensão e sequestro de bens, em quatro cidades: Porto Alegre, Cachoeirinha, Gravataí e Cidreira.

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