Fim da exigência de vacina para militares dissemina grave surto de gripe em base aérea dos EUA
Soldados das Forças Armadas dos Estados Unidos diante da bandeira do país. Picture-alliance/dpa/N. Armer via DW Eis um exemplo de como uma mudança na polít...
Soldados das Forças Armadas dos Estados Unidos diante da bandeira do país. Picture-alliance/dpa/N. Armer via DW Eis um exemplo de como uma mudança na política de vacinação se revela irresponsável. Dois meses após o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ter liberado os militares da obrigatoriedade de se vacinar contra a gripe, um surto da doença afetou 160 soldados na Base Aérea de Lackland, no Texas. Um deles morreu. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Hegseth alegou autonomia médica e liberdade para que os militares expressassem suas convicções religiosas ao abolir, em abril, a exigência da imunização contra a gripe. Criticou o ex-presidente Joe Biden e classificou a obrigatoriedade da vacina como “um desses mandados absurdos e abusivos, que enfraquecem as capacidades de combate, sem representar qualquer ameaça à prontidão militar”. “Nossa nova política é simples. Se você, um guerreiro americano encarregado de defender esta nação, acredita que a vacina contra a gripe é do seu melhor interesse, então você está livre para tomá-la. Você deveria. Mas não vamos forçá-lo. Porque seu corpo, sua fé, não são negociáveis”, afirmou o secretário ao anunciar a mudança. A nova regra negacionista em vigor levou apenas 40% dos militares a optarem pela vacinação. Ato contínuo, com o surto de gripe atuante por três semanas, o comando da base aérea se viu obrigado a ignorar a ordem de Hegseth e voltar a aplicar a vacina como medida de contenção. 👉 Desde 1945, a vacinação contra a gripe era obrigatória para os militares, pelas condições em que vivem em alojamentos comunitários, compartilhando refeitórios, onde a possibilidade de contágio é ainda maior. Com o negacionista Robert Kennedy Jr. à frente da Secretaria de Saúde, o governo Trump se sentiu confiante para revogar a obrigatoriedade de outras vacinas como a da Covid-19 e a da hepatite B em recém-nascidos. Como chefe do Pentágono, Hegseth aderiu ao movimento antivacina, no que diz respeito à exigência da imunização de seus recrutas. Vale lembrar um comentário veemente dele, em fevereiro de 2019, quando era apresentador da Fox News: “Os germes não existem”, assegurou durante o programa. Como chegou a esta conclusão? Ele contou que parou de lavar as mãos por dez anos e que, desde então, sua saúde havia melhorado. Por estas noções duvidosas de higiene, a mudança da política de vacinação da gripe, em vigor há oito décadas nas Forças Armadas, não surpreendeu. Mas se mostrou ineficaz pela velocidade com que o vírus se espalhou. EUA mudam diretriz de vacinação infantil