Juíza rejeita pedido da defesa e mantém júri de Carlinhos Bezerra marcado para sexta-feira (31)
Após suspensão, júri de Carlos Alberto Gomes Bezerra é remarcado para 31 de julho A juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Monica Catarina Perri Siqueira, ...
Após suspensão, júri de Carlos Alberto Gomes Bezerra é remarcado para 31 de julho A juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Monica Catarina Perri Siqueira, rejeitou o pedido da defesa de Carlinhos Bezerra para que ela fosse afastada da condução do processo e manteve o julgamento do réu pelo Tribunal do Júri para a próxima sexta-feira (31). Ao g1, a defesa representada pelo advogado Elson Marcelino da Silva Junior, afirmou que discorda da decisão da magistrada e que seguirá adotando as medidas legais cabíveis para garantir um julgamento considerado justo e imparcial ao réu. Em nota, o advogado disse que reafirma “o compromisso irrestrito com a garantia da ampla defesa e do devido processo legal”, princípios que, segundo ele, orientam a atuação desde a constituição do mandato. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (27). Nela, a juíza rejeitou o pedido da defesa para ser afastada do caso e manteve a Defensoria Pública nomeada para atuar de forma subsidiária, caso os advogados de Carlos Alberto Gomes Bezerra não compareçam à sessão do júri. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Ao analisar o pedido, a magistrada afirmou que os argumentos apresentados pela defesa demonstram apenas insatisfação com decisões tomadas ao longo do processo e não se enquadram nas hipóteses legais de suspeição previstas no Código de Processo Penal. Segundo a juíza, não há qualquer elemento que coloque em dúvida sua imparcialidade na condução do caso. Apesar de rejeitar o pedido, ela determinou o envio da exceção de suspeição ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), como prevê a legislação, sem suspender o andamento da ação penal. Monica Catarina Perri Siqueira, juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá. TJMT A magistrada também negou o pedido da Defensoria Pública para deixar de atuar no processo. Com isso, o órgão permanecerá nomeado apenas de forma subsidiária e será acionado caso a defesa constituída não compareça ou volte a abandonar a sessão do júri. Na decisão, a juíza ressaltou que Carlos Alberto Gomes Bezerra continua representado por advogados particulares. Por esse motivo, a Defensoria Pública só assumirá a defesa em uma situação excepcional. O Tribunal do Júri foi remarcado pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira para 31 de julho, às 9h, no Fórum de Cuiabá após ter sido suspenso na última terça-feira (21), quando a defesa deixou o plenário. Entenda o caso O suspeito do crime, Carlos Alberto Gomes Bezerra, de 57 anos, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), era ex-namorado e conseguiu na Justiça o direito à prisão domiciliar em novembro de 2023 Reprodução Carlos Alberto Gomes Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, é réu confesso e está preso pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian Cesar Moreno. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Thays foi vítima de feminicídio cometido por motivo torpe, relacionado ao fim do relacionamento, enquanto Willian foi morto com qualificadoras como motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a acusação, os disparos ocorreram em plena luz do dia, em uma região urbana movimentada, com uso de uma pistola semiautomática. O MPMT aponta ainda que o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica e de gênero, com abuso da relação de ex-companheiro e da superioridade física do acusado. A defesa de Carlos Alberto tentou adiar o julgamento do Tribunal do Júri e pediu a realização de um incidente de insanidade mental, alegando que havia indícios de transtornos psiquiátricos e que não teve acesso a todos os documentos do processo em tempo hábil. A Justiça, porém, negou o adiamento. O julgamento chegou a ser suspenso após os advogados deixarem o plenário alegando falta de acesso a informações e quebra da cadeia de custódia de provas. A sessão foi remarcada e a defesa voltou a insistir na avaliação psiquiátrica do réu. Segundo o psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro, a principal hipótese identificada em avaliação foi de transtorno delirante persistente relacionado ao ciúme, conhecido como “ciúme mórbido”.