Mais de 44 mil pessoas vivem em áreas de risco em Rio Branco, diz relatório; Veja bairros
Estudo aponta 87 áreas de risco e 44 mil pessoas ameaçadas em Rio Branco Entre bairros como Cidade Nova e Quinze, um levantamento inédito identificou 87 áre...
Estudo aponta 87 áreas de risco e 44 mil pessoas ameaçadas em Rio Branco Entre bairros como Cidade Nova e Quinze, um levantamento inédito identificou 87 áreas de risco geológico e hidrológico na capital acreana, onde vivem, aproximadamente, 44 mil pessoas. O diagnóstico faz parte do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Rio Branco, apresentado nessa quarta-feira (5). (Veja a lista das regiões mais afetadas) O documento vai servir como base para orientar obras, investimentos e ações preventivas para reduzir os impactos provocados por enchentes, erosões, deslizamentos e outros eventos extremos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp O relatório foi elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), em parceria com o Ministério das Cidades e apoio da Defesa Civil Municipal. Além de mapear as áreas mais vulneráveis do município, o estudo também aponta intervenções prioritárias para diminuir os riscos e fortalecer o planejamento urbano. Segundo a Defesa Civil Municipal, o levantamento também atualiza o número de áreas monitoradas pelo município. Em 2023, Rio Branco possuía 63 áreas classificadas como de risco, um aumento de cerca de 38%. LEIA TAMBÉM: Acre é o único estado do país sem guarda municipal, aponta estudo Acre segue entre os estados com pior desempenho em democracia ambiental na Amazônia Legal, aponta estudo Plataforma digital pioneira analisa impactos de enchentes em áreas vulneráveis no AC Os levantamentos em Rio Branco foram feitos em três etapas de campo: em junho e setembro de 2025 e fevereiro de 2026 e identificou casas suscetíveis a inundações, processos erosivos e movimentos de massa. Com base nas informações coletadas, deve-se criar uma base técnica para orientar futuras políticas públicas nas áreas de infraestrutura, habitação, drenagem, saneamento e recuperação ambiental. Principal desafio de Rio Branco está relacionado às inundações provocadas pelo Rio Acre e seus afluentes Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre Segundo o chefe da Divisão de Geologia Aplicada do Serviço Geológico do Brasil, Tiago Antonelli, o município enfrenta processos erosivos, conhecidos popularmente como 'terras caídas', decorrentes das características do solo da capital acreana. “Nós temos também as terras caídas, os rastejos aqui em Rio Branco, por conta de características do solo. Então trincas e rachaduras são comuns também de acontecer, apesar da baixa declividade do terreno”, acrescentou. Bairros mais afetados Conforme o estudo, o maior número de pessoas que vivem em áreas de risco está nos bairros Cidade Nova e Quinze. Ao todo, mais de 7,4 mil pessoas ocupam regiões classificadas como de risco alto. Em seguida, vem os bairros Taquari, com cerca de 5,2 mil pessoas, Seis de Agosto, com 4,5 mil pessoas, e Recanto dos Buritis, com 3,5 mil pessoas, que estão entre os diferentes setores de risco mapeados. Bairro Cidade Nova e Quinze, no Segundo Distrito, possuem o maior número de pessoas que ocupam setores classificados como de risco alto Google Maps Segundo o levantamento, as classificações dos bairros em áreas de risco ocorrem da seguinte forma: Bairros com risco muito alto: Dom Giocondo, Novo Horizonte, 6 de Agosto, Taquari e a área do Igarapé da Judia (Av. Durval Camilo). Bairros com risco alto: Mocinha Magalhães, Aeroporto Velho, Palheiral, Volta Seca, Boa Vista, João Paulo II, Sobral, Laélia Alcântara, Calafate, Loteamento Severa Romana (Mutum), Taquari, Panorama, Adalberto Aragão, Jardim Tropical, Oscar Passos, São Francisco, Oscar Plácido, Vitória, Placas, Centro, Canaã, Recanto dos Buritis, Santa Inês, Cidade Nova e Quinze, Comara e Estrada do Porto Acre (localidade). Bairro com risco médio: Mocinha Magalhães, Aeroporto Velho, Laélia Alcântara, Calafate, Floresta Sul, Taquari, Panorama, Estrada do São Francisco, Placa, Ouricuri, 6 de Agosto, Santa Terezinha e Igarapé da Judia (Av. Durval Camilo). O relatório complementa ainda que alguns bairros aparecem em mais de uma categoria pois possuem diferentes áreas de risco, já que cada setor é classificado de forma individual e segue suas características geológicas, hidrológicas e o nível de vulnerabilidade das ocupações. Soluções Segundo o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, além de apontar onde estão os problemas, o estudo também apresenta caminhos para solucioná-los. “A prefeitura vai ter esse conhecimento e pode propor obras estruturantes e não estruturantes, enfim, fazer o planejamento urbano. Essas informações nós vamos priorizar e verificar aquelas áreas que estão mais suscetíveis e as que causam o maior problema”, disse. O coordenador ressaltou ainda que, em alguns casos, o plano vai poder subsidiar projetos para reassentamento de famílias que vivem em áreas de maior vulnerabilidade. “O maior risco que temos é o hidrológico, o risco de inundação. Em algumas áreas, podemos propor inclusive a remoção de pessoas que habitam esses locais, por meio de planos de trabalho encaminhados ao Ministério das Cidades, a outros ministérios ou até mesmo com recursos próprios da prefeitura", afirmou. Plano Municipal de Redução de Riscos mapeou áreas suscetíveis a enchentes, erosões e deslizamentos Arquivo/Defesa Civil de Rio Branco O chefe da Divisão de Geologia Aplicada do Serviço Geológico do Brasil complementou que o principal desafio de Rio Branco está relacionado às inundações provocadas pelo Rio Acre e seus afluentes. “Aqui em Rio Branco, majoritariamente, o risco é a inundação, então é o extravasamento do Rio Acre, dos igarapés tributários. É um risco que a população tende a conviver com ele, que é natural, mas a nossa proposta é, além de dar luz ao problema, é sobre como o município pode mitigar, diminuir o grau de risco e a população conviver com o risco de insegurança”, explicou Antonelli. "A ideia é que, na próxima atualização [do relatório], esse número [de 87] seja menor. Aí, sim, teremos um Plano Municipal de Redução de Riscos realmente atuante", complementou Falcão. Reveja os telejornais do Acre