cover
Tocando Agora:

PF cancela depoimento de Flávio Bolsonaro após defesa apresentar esclarecimentos em investigação por suposta calúnia contra Lula

PF cancela depoimento de Flávio Bolsonaro em inquérito que investiga suposta calúnia contra Lula A Polícia Federal (PF) cancelou o depoimento que o senador ...

PF cancela depoimento de Flávio Bolsonaro após defesa apresentar esclarecimentos em investigação por suposta calúnia contra Lula
PF cancela depoimento de Flávio Bolsonaro após defesa apresentar esclarecimentos em investigação por suposta calúnia contra Lula (Foto: Reprodução)

PF cancela depoimento de Flávio Bolsonaro em inquérito que investiga suposta calúnia contra Lula A Polícia Federal (PF) cancelou o depoimento que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, prestaria nesta terça-feira (28) no inquérito que investiga uma suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo interlocutores da Polícia Federal, a defesa apresentou esclarecimentos por escrito no processo e o material será analisado pela corporação para avaliar se as informações prestadas são suficientes no âmbito da investigação. A defesa de Flávio Bolsonaro confirmou, em nota, que protocolou nesta terça esclarecimentos sobre o caso. No documento apresentado à PF e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados de Flávio solicitam que, no lugar da oitiva, sejam consideradas suficientes as justificativas apresentadas por escrito. A defesa pede que os esclarecimentos sejam recebidos em substituição ao depoimento marcado para esta terça. A investigação apura uma postagem publicada por Flávio Bolsonaro na rede social X, em 3 de janeiro de 2026. Na ocasião, o senador associou imagens de Lula ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e publicou uma mensagem afirmando que o petista "será delatado". Em seguida, listou crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e ditaduras e fraude eleitoral. Os advogados afirmam que a publicação investigada "não configura crime" e sustentam que "não houve atribuição falsa de fatos" ao presidente da República. Segundo a defesa, postagem continha duas frases independentes, sendo uma relacionada a Lula e outra a Nicolás Maduro. O depoimento havia sido marcado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ao pedir a abertura da investigação, a Polícia Federal afirmou que a postagem do senador atribuía falsamente crimes ao presidente da República. Para os investigadores, o conteúdo indicava que os delitos mencionados seriam aqueles pelos quais Lula seria eventualmente delatado. Em decisão anterior, Moraes acolheu manifestação da PGR favorável à realização da oitiva. O ministro registrou que havia solicitado à defesa de Flávio Bolsonaro sugestões de data e horário para o depoimento, mas que os advogados não apresentaram comprovação de impossibilidade de comparecimento no período inicialmente disponibilizado. Senador Flávio Bolsonaro e Presidente Lula Raul Spinassé e Ricardo Stuckert/Divulgação O que diz a defesa A principal linha de defesa apresentada ao STF e à Polícia Federal é que houve interpretação equivocada da publicação feita pelo senador. Segundo os advogados, a postagem investigada continha duas notícias verdadeiras seguidas de dois comentários "separados e independentes entre si". A defesa sustenta que a frase "Lula será delatado" representava apenas uma previsão sobre um evento futuro e não atribuía qualquer fato concreto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os advogados afirmam que dizer que alguém será delatado não significa atribuir um crime a essa pessoa. Segundo a defesa, alguém pode ser mencionado por um colaborador em depoimento sem que haja imputação de conduta ilícita. Já o segundo comentário, de acordo com a manifestação, fazia referência a Nicolás Maduro e reproduzia acusações que, segundo a defesa, foram atribuídas ao venezuelano pelas autoridades dos Estados Unidos. A defesa argumenta que o crime de calúnia exige a atribuição de um fato específico e falso, o que, segundo os advogados, não ocorreu no caso. Os advogados também citam entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) segundo os quais acusações genéricas não seriam suficientes para caracterizar o crime. Os advogados também afirmam que o inquérito não foi instaurado por representação do suposto ofendido e ressaltam que Lula sequer foi ouvido durante a investigação. Segundo a defesa, pedidos de produção de provas destinados a demonstrar a notoriedade da postagem e a relação política entre Lula e Maduro foram negados. A defesa sustenta ainda que as manifestações atribuídas a Flávio Bolsonaro estão inseridas no contexto do debate político e dizem respeito a posicionamentos públicos e afinidades políticas amplamente discutidos no cenário nacional e internacional. Para os advogados, comparações entre Lula e Maduro não configuram calúnia e estão protegidas pela liberdade de expressão. Flávio Bolsonaro afirmou ainda, por meio de seus advogados, que mantém confiança nas instituições, mas manifestou preocupação com o que classificou como tentativas de judicialização do embate político e de restrições indevidas à liberdade de expressão prevista na Constituição.

Fale Conosco