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'Praias' improvisadas e ventiladores esgotados: brasileiros mudam rotina com calor recorde na Europa

Onda de calor provoca mortes na Europa; Termômetros acima de 40ºC deixam países em alerta Brasileiros que vivem na Europa estão precisando se adaptar para e...

'Praias' improvisadas e ventiladores esgotados: brasileiros mudam rotina com calor recorde na Europa
'Praias' improvisadas e ventiladores esgotados: brasileiros mudam rotina com calor recorde na Europa (Foto: Reprodução)

Onda de calor provoca mortes na Europa; Termômetros acima de 40ºC deixam países em alerta Brasileiros que vivem na Europa estão precisando se adaptar para enfrentar temperaturas que ultrapassam os 40°C. Com uma série de recordes nos termômetros, o continente atravessa nesta semana a sua segunda grande onda de calor em dois meses. A França, um dos países afetados, colocou 54 departamentos em alerta vermelho e chegou a 44,3°C no sudoeste. Natural de Florianópolis, a estudante Lívia Corrêa, de 27 anos, mora em Paris há cerca de três anos e diz que nunca viu nada parecido. "Eu nunca passei tanto calor. Está cerca de 12 graus acima da média e isso não é normal nem para essa época do ano, nem para o próprio verão. O pico costuma acontecer em julho e agosto, mas o calor chegou muito antes", conta. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Calor recorde na Europa expõe os limites da adaptação e acende um alerta para o Brasil Ela destaca que a rotina da cidade mudou junto com os termômetros, e que nem comprar ventilador tem sido tarefa fácil. "Uma amiga foi em oito lojas diferentes procurando um ventilador e não encontrou nenhum. Está tudo esgotado", comentou. Quem caminha pelas badalas ruas de Paris, percebe menos pessoas circulando durante o dia. Os parques, normalmente lotados no verão, perderam movimento nas horas mais quentes. Ao mesmo tempo, a busca desesperada por água aumenta a ocorrência dos "banhos proibidos" em canais da cidade. "Está lotado todos os dias. As pessoas fazem praticamente uma praia ali. É impossível controlar", comenta. Pessoas se aglomeram no Canal Saint-Martin, em Paris, durante calor extremo Arquivo pessoal Como se reorganizar? Moradores, segundo ela, estão se reorganizando para fugir do calor. Lívia, por exemplo, tem saído mais cedo de casa para evitar os horários mais quentes e passou a trabalhar presencialmente sempre que pode. Segundo ela, muitos prédios antigos de Paris têm isolamento térmico precário e quase ninguém tem ar-condicionado em casa. Apenas cerca de 20% dos lares europeus têm o aparelho. "Eu tenho ido mais ao escritório porque lá tem ar-condicionado. Também escolho linhas de metrô que são climatizadas, porque nem todas são. Quando chego em casa, tento simplesmente não sair mais", afirma. "Tem gente que simplesmente não consegue permanecer dentro de casa. Uma amiga minha mora no último andar de um prédio antigo e o apartamento virou um forno. Hoje, ela vai trazer o ventilador para dormir aqui em casa porque lá está impossível", complementa. Ocorrências O estudante catarinense Lucas Ortiz, de 24 anos, também mora na região de Paris e afirma que é possível perceber o aumento constante de ambulâncias pela cidade. "Meus amigos e eu estamos ouvindo sirenes de ambulâncias passando o dia inteiro. Paris já é uma cidade barulhenta, mas com as ocorrências de saúde, isso só aumentou", disse. "Não é uma questão só de idosos ou pessoas vulneráveis. Jovens que não têm nenhum problema de saúde também estão sendo afetados", afirmou. Lucas trabalha em um restaurante. Ele diz que que até no ambiente de trabalho as adaptações precisaram aumentar. "A gente tem que aumentar os momentos de hidratação. Os próprios gerentes estão incentivando a equipe a beber mais água para não correr risco de passar mal." 🔴 A onda de calor extremo já provocou ao menos 40 mortes por afogamento desde 18 de junho na França, "principalmente de jovens", anunciou nesta terça-feira (23) o governo do país. A ministra dos Esportes, Marina Ferrari, disse que franceses têm pulado em canais e rios para se refrescar e alertou que as pessoas evitem nadar em áreas não autorizadas ou perigosas. Dentro das casas, a rotina também mudou. "As pessoas estão deixando cortinas e venezianas fechadas nos horários de pico, todas as janelas fechadas, para tentar manter o ambiente mais fresco", relata Lucas. Homem mergulha em fonte perto da Torre Eiffel, em Paris, na França, em meio a onda de calor histórica no país europeu, en 22 de junho de 2026. Abdul Saboor/ Reuters VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

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