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Produção leva anos e depende do frio: conheça o azeite orgânico produzido em fazenda do interior de SP que ganhou prêmio internacional

Fazenda no interior de SP produz azeite orgânico Frio, tempo e paciência são ingredientes fundamentais para a produção de azeite. As oliveiras levam anos p...

Produção leva anos e depende do frio: conheça o azeite orgânico produzido em fazenda do interior de SP que ganhou prêmio internacional
Produção leva anos e depende do frio: conheça o azeite orgânico produzido em fazenda do interior de SP que ganhou prêmio internacional (Foto: Reprodução)

Fazenda no interior de SP produz azeite orgânico Frio, tempo e paciência são ingredientes fundamentais para a produção de azeite. As oliveiras levam anos para começar a produzir em escala comercial e dependem de condições climáticas adequadas para gerar frutos de qualidade. Em Bom Sucesso de Itararé (SP), um projeto iniciado há cerca de duas décadas transformou essas condições em um azeite premiado internacionalmente. O produto conquistou o Blend Gold Award na Anatolian International Olive Oil Competition, premiação voltada a azeites de oliva extravirgem realizada na Turquia, em abril deste ano. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp O empresário Nelson Jorge, que atuava no setor bancário, cresceu no meio rural, em Piraju (SP). Após a aposentadoria, decidiu retornar às origens e adquiriu uma propriedade em Bom Sucesso de Itararé para retomar a lida com a terra. A região escolhida favoreceu o desenvolvimento do cultivo de oliveiras, já que, segundo o agricultor, a cultura se adapta melhor a áreas mais frias. No ano passado, o município registrou temperatura de -4,4°C em 25 de junho. Neste ano, já foram registrados cinco dias com temperaturas abaixo de zero, com mínima de -0,8°C. "Ela [cultura] vai bem então nesse clima, vai tão bem que tem uma parte das minhas oliveiras que tem 12, 13 anos e não produziram ainda, porque estão naquela festa de cresce, cresce, cresce, mas isso a gente resolve com um podão, uma poda certa", explica Nelson. Cerca de 2 mil oliveiras produziram 4 mil litros de azeite na safra mais recente, após anos de desenvolvimento das árvores e condições climáticas favoráveis Divulgação Além de um clima mais ameno, o cultivo de oliveiras exige paciência. As primeiras mudas levaram aproximadamente dez anos para atingir produção em escala comercial. A primeira safra rendeu cerca de 400 litros de azeite. "Para você extrair o óleo comercialmente são pelo menos sete anos. Por isso que a gente foi plantando em partes, foi aprendendo a conviver com ela, deixando, dando tempo para ela se adaptar também, que ela precisa da adaptação naquele clima da região." Nelson Jorge comprou a propriedade rural em Bom Sucesso de Itararé (SP) e, após trabalhar com culturas tradicionais, decidiu migrar para a produção de azeite orgânico Divulgação Atualmente, o olival de Nelson conta com cerca de 11 mil árvores plantadas em diferentes estágios de desenvolvimento. Na safra mais recente, cerca de 2 mil oliveiras estavam em produção, resultando em aproximadamente 4 mil litros de azeite. O azeite é produzido a partir das variedades de azeitona arbequina, arbosana e koroneiki. Segundo o produtor, apresenta acidez de 0,06%, índice muito inferior ao limite máximo de 0,8% exigido para a classificação de azeite extravirgem. Azeite é produzido a partir das variedades arbequina, arbosana e koroneiki Divulgação Trabalho no solo Inicialmente, a fazenda cultivava culturas tradicionais da região, como soja, milho e trigo. Depois, o produtor investiu em frutas e hortaliças. Foi nesse período que uma experiência durante o cultivo de tomates motivou uma mudança radical no modelo de produção. Ao visitar uma estufa com o neto, Nelson foi alertado por funcionários de que não poderiam consumir os tomates recém-colhidos porque a plantação havia recebido aplicação de defensivos agrícolas. A situação o fez recordar a infância no campo e os alimentos produzidos pelo pai sem o uso de produtos químicos. "Meu pai chegava da roça e dizia: 'Pode comer, meu filho, não tem veneno nem adubo químico'. Aquilo ficou na minha cabeça", relembra. A partir dessa reflexão, a propriedade interrompeu as atividades produtivas por cerca de dois anos e meio para realizar a recuperação do solo e eliminar resíduos químicos. "Aí a gente paralisou a fazenda dois anos e meio, ficamos 'desinfectando' ela, tirando as toxinas do solo que foi usado, tratando o solo com adubos orgânicos, remineralizadores, como se fosse uma floresta, e aí passamos a fazer plantio orgânico. Hoje estamos felizes com o caminho escolhido", relata o proprietário. Além do azeite, a fazenda mantém outras atividades ligadas à produção orgânica, como o cultivo de manjericão Divulgação Segundo Nelson, outro diferencial da produção está no manejo adotado para a nutrição das oliveiras. Além de não utilizar pesticidas, herbicidas ou fertilizantes químicos, a propriedade emprega remineralizadores de solo, conhecidos popularmente como pó de rocha, obtido a partir da moagem de rochas, que libera nutrientes de forma gradual para as plantas. De acordo com o produtor, a técnica busca reproduzir processos naturais e evitar a rápida absorção proporcionada pelos fertilizantes convencionais. "Pegamos o adubo na forma que a natureza colocou no solo para servir ao reino vegetal. A absorção é mais lenta, mas mais equilibrada", explica. Nelson afirma que a prática vai além das exigências da certificação orgânica. Segundo ele, mesmo insumos permitidos na agricultura orgânica, como alguns fertilizantes de origem animal, não são utilizados na propriedade. "Esse é um diferencial até dentro da própria produção orgânica. Procuramos trabalhar com o mínimo de interferência possível, respeitando os ciclos naturais do solo e das plantas", destaca. Quanto menor o intervalo entre a colheita e a extração, melhor tende a ser a qualidade do azeite, aponta o produtor Divulgação Do fruto ao azeite Nelson explica que o processo de produção do azeite começa muito antes da extração do óleo. Após anos de cultivo das oliveiras, os frutos passam por uma série de etapas até se transformarem em azeite extravirgem. A colheita ocorre quando as azeitonas atingem o ponto ideal de maturação. A colheita costuma misturar técnicas manuais e mecanizadas. O objetivo é evitar danos aos frutos, que podem comprometer a qualidade do óleo. Após a colheita, as azeitonas precisam ser levadas rapidamente para a unidade de processamento no lagar. Após a colheita, as azeitonas precisam ser levadas rapidamente para a unidade de processamento, chamada lagar Divulgação LEIA TAMBÉM: 'Fazenda Nossa Terra': propriedade de Sabrina Sato que fica no interior de SP produz café de forma sustentável Mais doce que cana-de-açúcar: conheça a uva pilar moscato, variedade gourmet do interior de SP que já custou R$ 200 o quilo 'Guardiãs' do milho crioulo: conheça atividade realizada por mulheres que preserva semente tradicional no interior de SP "Você tem no máximo duas horas, depois de tirar do fruto da árvore, até você fazer a moagem e a extração, tudo em um lagar de primeira qualidade e tecnologia. Parece caseiro, mas é muito bem pensado, até a questão de separar a azeitona que está sendo batida ali do oxigênio, porque pode oxidar um pouco, né? Tem que apanhar a azeitona, correr lá e fazer o fluxo de entrega para a máquina, para a máquina ir processando", detalha o produtor. Lona branca, chamada voal, é posicionada embaixo das árvores para facilitar a coleta das azeitonas Divulgação "Essa lona branca aí é um voal, que a gente usa para colocar embaixo dos pés da azeitona para fazer a colheita, só nessa época. A colheita é feita com uma maquininha de vibração lá em cima, ela tem vários dentes e funciona na bateria, vibrando e batendo no galho da azeitona, derrubando os frutos", continua. De acordo com Nelson, o uso da lona também ajuda a evitar impurezas, impedindo que as azeitonas tenham contato direto com o solo. O azeite pode ser filtrado para retirar partículas em suspensão. Depois, é armazenado em tanques de aço inoxidável, protegidos da luz, do calor e do oxigênio. Por fim, o produto é engarrafado e comercializado. O rendimento varia conforme a variedade da oliveira, o clima e a safra. Em média, são necessários entre cinco e dez quilos de azeitonas para produzir um litro de azeite, aponta Nelson. Premiação internacional O produto é certificado como orgânico pelo Instituto Biodinâmico (IBD) desde 2018. Para Nelson, a premiação internacional é resultado de anos de trabalho e adaptação ao cultivo orgânico. "Reforça a viabilidade da ideia do empreendedor em um negócio novo, uma vez que fomos pioneiros na região. Foram anos de adaptação e aprendizagem para atingir esse resultado", conclui. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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