A BOA POLÍTICA EM ANO ELEITORAL - QUANDO A ESCOLHA VIRA GANHO REAL PARA O POVO BRASILEIRO
RedeSat
15/01/2026 08:33
| Atualizado há 5 horas atrás
A BOA POLÍTICA EM ANO ELEITORAL - QUANDO A ESCOLHA VIRA GANHO REAL PARA O POVO BRASILEIRO
Falar em “boa política” hoje parece, para muitos, quase um ato de resistência. O termo foi desgastado pelo excesso de promessas vazias, pela troca de favores, pela radicalização e pela transformação do debate público em espetáculo permanente. Ainda assim, a política continua sendo o instrumento mais poderoso para organizar a vida coletiva. É por meio dela que se define o rumo do país, a prioridade dos investimentos, a qualidade dos serviços públicos, a proteção de direitos e a estabilidade das instituições. Quando a política adoece, a sociedade inteira paga a conta; quando ela melhora, o futuro se abre.
E há um detalhe que torna este debate ainda mais urgente: estamos em ano eleitoral. Isso muda o ritmo do país. A temperatura do debate sobe, as narrativas se intensificam, as promessas se multiplicam e a disputa tende a ocupar todos os espaços. Em períodos assim, a política pode descambar para a guerra de slogans e para a lógica do “nós contra eles”. Mas o ano eleitoral também traz uma oportunidade rara: é quando o cidadão tem mais poder para exigir, comparar, cobrar e escolher caminhos com consciência. Em outras palavras, ano eleitoral pode ser ruído — ou pode ser virada.
A boa política não é romantismo. Ela é método, responsabilidade e compromisso com o interesse público. É governar com escolhas claras, metas verificáveis, transparência e respeito à pluralidade. Não significa ausência de conflito — democracia pressupõe divergência —, mas exige que a divergência seja canalizada para construir soluções, não para destruir o adversário. Na boa política, o oponente não é inimigo; é parte legítima do mesmo pacto social.
Um dos pilares da boa política é a ética prática. Não basta proclamar valores; é preciso aplicá-los nas decisões diárias: nomeações técnicas, critérios objetivos, gastos justificáveis, contratos auditáveis e tolerância zero com privilégios indevidos. Ética, aqui, não é discurso; é governança. É saber que o dinheiro público tem destino: a escola que precisa funcionar, o hospital que não pode falhar, a segurança que deve proteger sem abusar, o saneamento que dignifica, o transporte que integra, o emprego que sustenta famílias. Quando o poder se descola dessas finalidades, ele perde legitimidade.
Outro elemento essencial é o foco em resultados. Boa política não se mede pela intensidade das frases, mas pela qualidade dos efeitos. Gestão pública madura não vive de anúncios; vive de entregas. Planeja, executa, avalia e presta contas. Reconhece erros, corrige rotas e aprende. Isso exige competência — e competência nasce do profissionalismo e do respeito às instituições, não do improviso.
Em ano eleitoral, a tentação do atalho cresce: promessa fácil, solução mágica, culpado único, frase pronta que rende aplauso rápido. Só que a vida real não se resolve com bordões. O que muda o país é política pública bem-feita: educação com continuidade e metas, saúde com organização e acesso, segurança com inteligência e prevenção, infraestrutura e saneamento com planejamento, ambiente econômico previsível para gerar emprego e renda, e um Estado que trate o cidadão com respeito. Essa mudança não nasce do barulho; nasce do trabalho.
Dentro desse cenário, há um fator que tornou a degradação do debate ainda mais perigosa: o uso instrumental da desinformação. Fake news, meia-verdade, conteúdo manipulado e campanhas de difamação não são apenas “excessos” de uma disputa acirrada; muitas vezes são estratégias deliberadas para capturar emoções e desorganizar a capacidade racional de escolha. Quando a mentira vira ferramenta política, o voto deixa de ser decisão livre e informada e passa a ser resposta condicionada por medo, ressentimento ou indignação fabricada. A democracia, nesse ponto, perde seu fundamento: o cidadão não escolhe com base na realidade, mas em versões construídas para produzir reação.
O problema é que a desinformação tem impacto concreto na vida pública: ela destrói reputações sem prova, contamina instituições, incentiva hostilidade contra servidores, imprensa e Judiciário, espalha suspeita generalizada e empurra a sociedade para uma lógica de guerra permanente. Além disso, fake news desloca o debate do essencial — políticas públicas, planejamento, orçamento, execução — para o terreno do escândalo contínuo. É como se o país passasse a decidir seu futuro a partir de boatos e vídeos editados, enquanto questões urgentes seguem sem solução. Combater isso não é censura; é defesa do direito do cidadão à verdade possível, ao contraditório e à responsabilidade de quem fala em público.
Por isso, trazer a boa política para o centro da eleição também significa reafirmar um compromisso público com a integridade informacional: candidatos e lideranças que não se beneficiem da mentira, que corrijam informações falsas quando circularem, que não incentivem ataques baseados em boatos e que aceitem o debate com base em dados e propostas. E significa, do lado do eleitor, cultivar prudência: desconfiar do conteúdo “bom demais para ser verdade”, checar fontes, evitar repassar sem confirmação e cobrar seriedade. A boa política depende de uma ecologia mínima de verdade; sem isso, não há diálogo — há apenas manipulação.
Trazer a boa política para o centro da eleição significa resgatar a pergunta mais importante: o que, concretamente, melhora a vida do povo brasileiro? Quando essa pergunta guia o debate, a eleição deixa de ser um ringue permanente e passa a ser um processo de escolha consciente. E, nesse ponto, o voto também muda de natureza: deixa de ser apenas um gesto de indignação e se torna um ato de construção.
Uma democracia madura não se resume ao voto, mas o voto é seu momento decisivo. Ele precisa ser acompanhado de critérios: coerência, preparo, equilíbrio, capacidade de gestão, respeito institucional, compromisso com resultados e mecanismos reais de transparência. Em ano eleitoral, muitos discursos se parecem; o diferencial está em quem consegue mostrar como fará, com que prioridades, com que instrumentos, com que equipe e com quais formas de controle. Quando o eleitor cobra planejamento e prestação de contas, o oportunismo perde espaço.
A boa política também tem compromisso com a pacificação social — não uma pacificação artificial, que exige silêncio e conformismo, mas uma pacificação democrática, baseada em diálogo e regras confiáveis. Um país dividido em trincheiras permanentes perde energia, perde investimento, perde coesão e perde humanidade. A política que alimenta ódio pode render manchetes, mas destrói o tecido social. A política que promove respeito pode ser menos barulhenta, mas é a única capaz de sustentar desenvolvimento no longo prazo.
Boa política não é “neutralidade vazia”. É ter posição sem ter cegueira. É defender ideias sem desumanizar pessoas. É escolher caminhos com base em evidências, e não em fantasias. É entender que nenhum grupo detém monopólio da verdade e que o Estado deve atender a todos — sobretudo aos que mais precisam. E ela não existe sem equilíbrio entre responsabilidade fiscal e responsabilidade social: gastar bem, cortar desperdícios, priorizar o essencial, proteger os vulneráveis e criar condições para a economia produzir. Não são deveres rivais; são complementares.
Por fim, boa política é participação. Uma democracia saudável precisa de cidadãos informados, instituições abertas, imprensa livre, fiscalização constante e canais reais de escuta. Participação não é apenas protesto; é proposição. É acompanhar orçamento, discutir prioridades, cobrar execução e rejeitar o “vale tudo”. Quando a sociedade se afasta, o vazio é preenchido por interesses que não se explicam; quando participa, a política melhora — porque o poder volta a se orientar por quem realmente importa.
No fundo, o ano eleitoral reforça a função mais nobre da democracia: transferir poder com legitimidade. E, em uma República, poder não é prêmio; é dever. Quando a eleição vira espetáculo, o povo vira plateia. Quando a eleição vira boa política, o povo volta a ser protagonista.
A política vai existir de qualquer forma. A escolha real é outra: teremos uma política que divide e degrada, ou uma política que organiza, respeita e entrega? Em ano eleitoral, exigir boa política não é um luxo — é o caminho mais direto para transformar a energia do voto em melhoria concreta na vida das pessoas. E, quando isso acontece, o ganho não é de um partido, de um grupo ou de um líder: o ganho é do povo brasileiro.
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Dr. Marcos Lelis
Área Jurídica – Confraria 01
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