Passar o Brasil a Limpo: o fim do foro privilegiado e a autonomia total da Polícia Federal
Matéria Especial de Domingo | Editorial Por Gilvandro Oliveira Filho
Especial de Domingo — O foro privilegiado tornou-se um dos maiores símbolos da desigualdade jurídica no Brasil. Enquanto autoridades são julgadas em tribunais superiores, o cidadão comum enfrenta a Justiça na primeira instância. Nesta matéria especial, explicamos o que é o foro privilegiado, quem tem direito a ele, o que parlamentares podem fazer amparados por esse mecanismo e como a sua quebra pode ajudar a passar o país a limpo. O editorial também detalha, passo a passo, como aprovar a mudança por meio de uma PEC e defende a autonomia total da Polícia Federal como instrumento essencial no combate à corrupção e à impunidade. Uma análise clara, didática e direta sobre por que a política tem muitos direitos e o povo quase nenhum — e como mudar essa realidade.
Introdução
O Brasil convive há décadas com a sensação de que a lei não é igual para todos. Enquanto o cidadão comum responde rapidamente à Justiça, autoridades públicas contam com privilégios que retardam julgamentos e enfraquecem a responsabilização. Entre esses privilégios, o foro por prerrogativa de função, conhecido como foro privilegiado, tornou-se símbolo da desigualdade jurídica. Este editorial propõe um caminho claro para passar o país a limpo: a quebra do foro privilegiado, combinada com autonomia plena da Polícia Federal, respeitando a Constituição e o Estado Democrático de Direito.

O que é o foro privilegiado
O foro privilegiado garante que determinadas autoridades sejam julgadas por tribunais superiores (STF e STJ), e não pela primeira instância. A justificativa histórica foi proteger o cargo — não a pessoa — contra perseguições políticas. Na prática, porém, o excesso de autoridades com foro e a lentidão dos tribunais superiores criaram impunidade estrutural.
Quem tem foro privilegiado hoje
Presidente da República e Vice
Ministros de Estado
Governadores
Senadores e Deputados Federais
Ministros do STF, STJ e Tribunais Superiores
Procurador-Geral da República
Comandantes das Forças Armadas
Outras autoridades previstas na Constituição
O que o parlamentar pode fazer com foro privilegiado
Responder a processos diretamente em tribunais superiores
Ter investigações mais lentas e complexas
Contar com maior visibilidade política e jurídica
Em muitos casos, ver processos prescreverem pelo tempo
O que muda sem foro privilegiado
Parlamentares respondem na primeira instância, como qualquer cidadão
Investigações mais ágeis e próximas dos fatos
Menor chance de prescrição
Igualdade real perante a lei
Fortalecimento da confiança pública
Passo a passo para quebrar o foro privilegiado
1. Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
A quebra do foro exige PEC, pois o instituto está na Constituição.
2. Discussão pública e transparência
Audiências públicas, debates nacionais e participação da sociedade civil.
3. Votação no Congresso
Dois turnos na Câmara dos Deputados
Dois turnos no Senado Federal
Quórum qualificado (3/5 dos votos)
4. Promulgação
A PEC é promulgada pelo Congresso e passa a valer imediatamente.

Autonomia total da Polícia Federal: por quê?
Sem autonomia, investigações sensíveis sofrem interferência política. Autonomia não é ausência de controle, mas independência técnica.
O que significa autonomia na prática
Mandatos fixos para a direção da PF
Orçamento próprio e protegido
Liberdade técnica para investigar autoridades
Controle externo pelo Ministério Público e Judiciário
O papel do povo
A política conquistou muitos direitos. O povo, poucos. A mudança só acontece quando a sociedade:
Pressiona seus representantes
Cobra votos coerentes
Acompanha PECs e projetos
Exige igualdade perante a lei
Não se trata de criminalizar a política, mas de moralizá-la.
Editorial: política com direitos, povo sem justiça
Quando a política tem tudo e o povo quase nada, a democracia adoece. O foro privilegiado, como existe hoje, virou escudo pessoal. Quebrá-lo é afirmar que ninguém está acima da lei. Dar autonomia à Polícia Federal é garantir que a verdade não seja engavetada. Passar o Brasil a limpo é uma escolha coletiva — urgente e possível.

Assina:
Gilvandro Oliveira Filho
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