Protestos ganham força nas ruas e devem chegar às portas das emissoras de TV
RedeSat
Enquanto políticos, empresários e autoridades disputam espaço em entrevistas, holofotes e manchetes, quem faz a notícia sobrevive na miséria. É nesse cenário de exploração silenciosa que nasce uma rede colaborativa de jornalistas, comunicadores e trabalhadores da mídia, com um objetivo claro: defender quem está sendo usado, descartado e empurrado para a fome.
O Movimento Imprensa com Dignidade surge como reação direta à precarização extrema da profissão jornalística no Brasil. Hoje, a regra virou PJ sem direitos, contratos frágeis, salários aviltantes e jornadas exaustivas. Redatores, produtores, cinegrafistas, editores, fotógrafos e técnicos trabalham sem férias, sem 13º, sem FGTS, sem segurança — e muitas vezes sem saber se vão conseguir pagar a próxima refeição.
“Querem aparecer na mídia, mas quem faz a mídia passa fome”
A crítica central do movimento é direta:
“Todo mundo quer entrevista, todo mundo quer aparecer, todo mundo quer usar a imprensa. Mas ninguém quer assumir responsabilidade por quem faz a imprensa existir.”
Segundo o movimento, governos e instituições se recusam a abrir concurso público para jornalistas, mesmo mantendo estruturas de comunicação permanentes. No lugar disso, adotam contratos temporários, terceirizações e pejotização em massa, criando um exército de profissionais descartáveis.
Exploração institucionalizada
A prática virou padrão:
Jornalistas contratados como PJ, mesmo cumprindo jornada fixa
Profissionais acumulando funções sem remuneração adequada
Falta total de direitos trabalhistas
Ameaça constante de substituição e silenciamento
Tudo isso em um setor que exige ética, responsabilidade social e compromisso com a verdade.
Rede colaborativa para proteger e denunciar
A nova rede colaborativa nasce para:
Dar voz aos jornalistas explorados
Denunciar contratos abusivos
Expor órgãos públicos e empresas que usam a imprensa sem dignidade
Cobrar concursos públicos e vínculos formais
Criar apoio mútuo entre profissionais da comunicação
O movimento afirma que não aceitará mais o discurso hipócrita de valorização da imprensa enquanto, nos bastidores, os trabalhadores são tratados como invisíveis.
Aviso foi dado: o movimento vai jogar duro
O Imprensa com Dignidade deixa claro que não se trata de um manifesto simbólico. A proposta é confronto político, denúncia pública e pressão institucional.
“Sem jornalista não existe democracia. E sem dignidade não existe imprensa livre.”
A mensagem final é um alerta: ou o sistema muda, ou a própria imprensa vai expor a miséria que sustenta a máquina da comunicação no Brasil.

Manifestantes denunciam silêncio da grande mídia e elogiam postura independente do Café com Notícias, da Rede Cidade Sat
A mobilização de jornalistas e trabalhadores da comunicação já está nas ruas e promete avançar. Segundo os manifestantes, os próximos atos devem ocorrer em frente às grandes emissoras de TV, como forma de denunciar a exploração da categoria e o silêncio da mídia tradicional diante da própria crise que atinge seus profissionais.
O clima é de revolta. As reclamações são muitas e vêm de todos os setores da comunicação: repórteres, redatores, produtores, cinegrafistas e técnicos. A denúncia central é clara: precarização, pejotização forçada, baixos salários e ausência total de direitos.
Equipe do Café com Notícias acompanha protesto
Toda a equipe do programa Café com Notícias, da Rede Cidade Sat, esteve presente no local, acompanhando de perto a manifestação e ouvindo os trabalhadores que raramente têm espaço para falar.
Durante o ato, Jorge Lima, um dos participantes do movimento, fez duras críticas às emissoras de TV:
“As emissoras não cobrem porque muitas vezes são pagas para ficar caladas. Existe interesse em esconder o que acontece com a gente. Somos tratados como mão de obra descartável, quase como trabalho escravo, para aceitar o que eles querem impor.”
Reconhecimento ao jornalismo que escuta o povo
Jorge Lima também destacou a diferença de postura de parte da imprensa independente e fez um elogio direto ao jornalista Gilvandro, da Rede Cidade Sat:
“O Gilvandro realmente nos atende, nos escuta e respeita a nossa classe. Ele não é vendido ao sistema das grandes emissoras, que exploram o trabalhador e querem que a gente aceite tudo calado.”
Segundo os manifestantes, esse tipo de jornalismo — próximo do povo e comprometido com a verdade — é cada vez mais raro, mas essencial para que as denúncias venham à tona.
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