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Delegados de SP desmentem Tarcísio: "Reajuste de 45% para Polícia Civil é fake news"

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Delegados de SP desmentem Tarcísio: "Reajuste de 45% para Polícia Civil é fake news"
Imagem da Rede Social

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) contestou, em texto divulgado na última sexta-feira (20), uma divulgação do governo de São Paulo que aponta um reajuste de cerca de 45% para policiais civis e militares nos últimos anos. Para a entidade, o número apresentado pelo governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) distorce os dados e cria uma percepção equivocada sobre a valorização salarial da categoria.

A informação foi apresentada por Tarcísio em novembro de 2025, durante uma reunião com associações policiais no Palácio dos Bandeirantes. Na ocasião, integrantes da administração estadual mostraram um balanço de despesas, contratações e reajustes salariais das forças de segurança e divulgaram posteriormente o material à imprensa e no site oficial do Estado.

Segundo esse levantamento, policiais civis e militares teriam acumulado aumento de 45,2% entre 2022 e 2025. O Sindpesp, no entanto, afirma que o cálculo inclui reajustes concedidos ainda na gestão do ex-governador João Doria, o que, na avaliação da entidade, infla artificialmente o percentual atribuído ao atual governo. Ou seja, trata-se de fake news de Tarcísio.

Conta do reajuste é questionada

De acordo com o sindicato, cerca de 20% desse índice correspondem a aumentos concedidos em 2022, antes do início da gestão Tarcísio. Assim, os reajustes efetivamente implementados entre 2023 e 2025 somariam aproximadamente 25%.

Na prática, afirma a presidente do Sindpesp, delegada Jacqueline Valadares, os delegados receberam percentuais ainda menores do que os divulgados.

“Para delegados de Polícia, em 2023, o aumento variou entre 14,27%, para a classe especial, e 20,7%, para a 3ª classe. Já em 2024, nenhum percentual foi concedido. Em 2025, veio um reajuste linear de 5% para todo o funcionalismo público. Importante lembrar que os anos de 2024 e 2025 foram marcados por perdas reais na remuneração em razão da inflação do período”, detalha.

Para o sindicato, ao somar reajustes de administrações diferentes, o governo estadual apresenta uma versão distorcida da política salarial voltada à segurança pública.

“O governador (Tarcísio Gomes de Freitas), em nota oficial do Governo do Estado, está considerando na conta um percentual que foi concedido por gestor (João Doria) que o antecedeu. Trata-se de desinformação aos policiais e à população. É fake news! Algum policial civil teve, no seu holerite, em São Paulo, um reajuste de 45%, nesta gestão (2023/2026)?”, questiona Jacqueline.

Salários seguem entre os piores do país

A discussão sobre salários ocorre em meio a críticas recorrentes das entidades representativas da Polícia Civil à política de valorização da carreira no estado. Em novembro do ano passado, o Sindpesp já havia apontado frustração da categoria com promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2022, entre elas a de tornar a polícia paulista uma das mais bem remuneradas do país.

Hoje, segundo levantamento do sindicato, os delegados de São Paulo aparecem apenas na 24ª posição em comparação com os salários pagos por outros estados e pelo Distrito Federal. A entidade afirma que a defasagem salarial permanece elevada mesmo com os reajustes recentes.

“A defasagem salarial dos policiais civis de São Paulo é tão gritante, que, ainda que tivesse sido dado reajuste de 45%, não sairíamos do ranking dos piores vencimentos do Brasil. Entre 27 estados, estamos em 24º lugar. Na realidade, seria necessário um aumento aproximado de 100% nos holerites para igualar com os melhores do País em remuneração de delegados”, afirma a presidente do Sindpesp.

Além da questão salarial, o sindicato também aponta queda no efetivo da Polícia Civil. Segundo a entidade, desde 2023 o estado perdeu milhares de profissionais, muitos deles desmotivados pela falta de valorização da carreira.

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