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Obra em hospital: mochila com quase R$ 10 milhões entra na mira da PF

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Obra em hospital: mochila com quase R$ 10 milhões entra na mira da PF
Imagem da Rede Social

Licitação de R$ 69 milhões para o Hospital Geral Municipal de Macapá aparece no centro de uma investigação da Polícia Federal citada pelo ministra Flávio Dino, no âmbito da Operação Paroxismo. O alvo é um suspeito padrão de movimentação financeira em dinheiro, com quase R$ 10 milhões sacados em espécie e transportados em mochilas.

Entre janeiro de 2023 e setembro de 2024, a PF aponta 59 saques em dinheiro somando R$ 9.892.800,00, ocorridos logo após repasses do município à empresa responsável pela obra, sem retorno ao sistema bancário nem registro de pagamentos da execução da obra.

A análise financeira destaca dois sócios da empresa Santa Rita Engenharia Ltda.: Rodrigo de Queiroz Moreira, com 42 saques totalizando cerca de R$ 7,4 milhões, e Fabrizio de Almeida Gonçalves, com 17 saques que somaram R$ 2,46 milhões.

O dinheiro público entrava na conta da empresa, era sacado em espécie e não voltava ao sistema bancário, sem registros de pagamentos relacionados à obra, o que chamou a atenção dos peritos para uma possível movimentação financeira irregular.

Um episódio marcante ocorreu em 23 de dezembro de 2024, quando Rodrigo Moreira sacou R$ 850 mil em uma agência do Banco do Brasil, com a operação documentada pela PF. Funcionários retiraram da gaveta grande quantidade de cédulas, principalmente notas de R$ 50 e R$ 100, entregues ao empresário.

Em 23 de maio de 2025, novas movimentações chamaram a atenção: após entrar em uma agência, Moreira saiu carregando uma mochila preta. Dados do banco indicaram um saque de R$ 400 mil na conta da empresa. Ele saiu da agência, levou a mochila ao seu apartamento e, pouco depois, dirigiu-se a um laboratório, acompanhando-se de um homem não identificado.

Segundo a PF, a troca da mochila ocorreu em seguida. Um homem com a mochila preta deixou o local em um Fiat Cronos branco que foi seguido pela polícia, mas a perseguição foi interrompida para evitar exposição da operação. Registros oficiais mostraram que o carro estava registrado em nome do prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan.

Em junho de 2025, a PF registrou novos episódios semelhantes. Um homem identificado como Hulgo Márcio Bispo Corrêa, ligado a uma clínica associada ao prefeito, foi visto próximo ao laboratório, enquanto novas movimentações bancárias ocorriam. Dois dias depois, o mesmo Fiat Cronos foi visto próximo a uma agência durante novas saques, com um elo logístico atuando no transporte dos valores.

A PF descreve a cadeia de evidências como um padrão repetido: entrada de recursos públicos na conta da empresa, saque imediato em dinheiro, transporte em mochila, passagem por imóveis ligados a aliados da região e entrega a terceiros vinculados ao prefeito. Na interpretação da investigação, esse percurso aponta para um possível repasse dissimulado de vantagem indevida a agentes públicos.

A decisão do Supremo Tribunal Federal descreve a sequência como uma cadeia probatória relevante no âmbito da Operação Paroxismo. O hospital foi apresentado como uma das principais obras da gestão municipal, elevando a importância do caso para a cidade de Macapá e para o escrutínio sobre o uso de recursos públicos.

A reportagem acompanha a evolução do caso, que envolve denúncias de fraude em licitações, movimentação atípica de recursos e ligações entre o prefeito e estruturas empresariais associadas a investimentos da prefeitura. A apuração continua para esclarecer a função exata dos saques, o destino dos recursos e os possíveis benefícios indevidos.

E você, o que pensa sobre esse conjunto de evidências e o que isso revela sobre a transparência das licitações na sua cidade? Compartilhe seus comentários e opiniões para enriquecer o debate sobre gestão de recursos públicos e controle de contratos municipais.

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