PF aponta Márcio Canella, aliado de Flávio Bolsonaro, como patrono político de grupo ligado ao CV
REDE NEWS
A Polícia Federal (PF) aponta Márcio Canella (União Brasil) como “patrono político” e “articulador de alto escalão” de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV). Preso nesta quinta-feira (15), o ex-prefeito de Belford Roxo é suspeito de atuar como elo entre o poder público e integrantes do grupo.
Além disso, os investigadores apontam uma rede de postos de combustíveis suspeita de lavar dinheiro do crime organizado. O caso integra a mais recente fase da Operação Unha e Carne.
Canella também é aliado político do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Em fevereiro, Flávio anunciou sua pré-candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro. No entanto, Canella desistiu da disputa em julho, após ser preso em flagrante por porte de arma de uso restrito. Na ocasião, ele anunciou que concorreria a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
PF aponta favorecimento e cooptação política
Ao solicitar a operação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF apresentou indícios de suposto favorecimento político e cooptação de agentes públicos.
Nesse contexto, os investigadores destacaram nomeações realizadas na Prefeitura de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Segundo a corporação, Canella nomeou ex-vereadores investigados por supostos vínculos com milícias para cargos de secretários municipais.
Além disso, a PF afirma que a organização criminosa mantinha conexões com milícias e integrantes do tráfico de drogas. De acordo com os investigadores, essas relações buscavam ampliar a presença territorial do grupo e garantir proteção política.
A corporação também aponta Canella como possível destinatário de recursos provenientes de atividades criminosas. Dessa forma, a investigação busca esclarecer se o político recebeu valores relacionados a esses delitos.
Bens de luxo entram na investigação
A Polícia Federal também citou a apreensão de relógios de alto valor, dois veículos de luxo e duas motocicletas de marcas premium.
Segundo os investigadores, o conjunto de bens reforça a hipótese de lavagem de dinheiro. A corporação relaciona os itens à suspeita de recebimento de recursos de origem criminosa.
Além disso, os agentes destacaram áudios divulgados pela imprensa. Na avaliação da PF, as gravações indicam possíveis conexões entre agentes públicos e integrantes de organizações criminosas.
A corporação descreveu os diálogos como reveladores de uma “simbiose espúria”. Por isso, os investigadores consideram o material relevante para apurar as relações entre os envolvidos.
Capitão da PM teria intermediado interesses da prefeitura
Entre os áudios analisados pela PF estão conversas de um capitão da Polícia Militar com integrantes da cúpula do Comando Vermelho.
Segundo os investigadores, o policial atuava como intermediário entre lideranças da facção e a administração municipal comandada por Canella. Dessa maneira, a corporação aponta indícios de possível articulação entre interesses da prefeitura e os da organização criminosa.
Além de apurar essas relações, a investigação busca esclarecer a participação de agentes públicos e políticos no esquema. Os investigadores também examinam se empresas do setor de combustíveis foram utilizadas para ocultar recursos de origem ilícita.
Canella foi apoiado por Flávio Bolsonaro para disputar o Senado
A relação política entre Canella e Flávio Bolsonaro ganhou destaque em fevereiro, quando o senador anunciou o apoio à pré-candidatura do ex-prefeito ao Senado pelo Rio de Janeiro.
Na mesma ocasião, Flávio apresentou Douglas Ruas (PL) como pré-candidato ao governo estadual. O anúncio integrou a articulação política do grupo para as eleições no Rio.
Em julho, porém, Canella desistiu da disputa ao Senado após ser preso em flagrante por porte de arma de uso restrito. Segundo informações divulgadas na época, a polícia encontrou um fuzil no carro do político. Depois do episódio, ele anunciou que concorreria a uma vaga na Alerj.
Agora, a prisão de Canella ocorre no âmbito da Operação Unha e Carne, que investiga possíveis conexões entre agentes públicos, organizações criminosas e esquemas de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.
As acusações contra o político ainda dependem da apuração judicial. Portanto, os indícios apresentados pela PF não representam, por si só, uma condenação.
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