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Argentina de Milei: a pergunta de Lula que Flávio evitou no debate

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Argentina de Milei: a pergunta de Lula que Flávio evitou no debate
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A Argentina de Milei entrou no centro do debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste domingo (18), na Band. O presidente cobrou do adversário uma resposta sobre a adoção do modelo econômico argentino no Brasil. Flávio, que tem Milei como aliado político, desconversou.

“Você vai pegar a motosserra emprestada do Milei?”, questionou Lula, em referência ao símbolo utilizado pelo presidente argentino para defender cortes radicais nos gastos públicos. Em vez de responder, Flávio atacou a política externa do governo brasileiro e prometeu um “tesouraço na corrupção”.


A cobrança de Lula expôs uma contradição na campanha bolsonarista. O governo argentino, apresentado pela extrema direita como exemplo de ajuste econômico, enfrenta uma nova alta da pobreza, desemprego de 7,9% e sinais de retração da atividade. A inflação caiu, mas a melhora dos indicadores de preços não impediu que milhões de argentinos continuassem enfrentando dificuldades para pagar as contas.


O que Lula perguntou a Flávio Bolsonaro sobre a Argentina no debate da Band?

Lula confrontou Flávio sobre sua proximidade com Javier Milei e questionou se o senador pretende importar para o Brasil a política de cortes adotada pelo ultraliberal argentino.


A pergunta atingiu um ponto sensível da candidatura bolsonarista. Milei participou de um comício de Flávio em São Paulo, enquanto nomes ligados à formulação de seu programa econômico defendem uma agenda de redução do Estado e contenção de despesas públicas.

Em junho, a Revista Fórum mostrou que Flávio escolheu Dani Marques, ex-presidente da Caixa no governo Bolsonaro, para comandar sua equipe econômica. Apresentada pelo senador como um dos principais nomes da equipe de Paulo Guedes, a economista passou a representar a promessa de cortes drásticos nas contas públicas.


Durante o debate, Lula insistiu na associação com Milei. Flávio respondeu citando Daniel Ortega e Nicolás Maduro, sem explicar se adotaria as medidas de austeridade do presidente argentino. Quando voltou a ser pressionado, limitou-se à promessa de combater a corrupção.


Como está a Argentina de Milei em 2026?

A economia argentina combina a queda da inflação em relação aos níveis críticos de 2023 e 2024 com o agravamento recente de indicadores sociais e a perda de dinamismo econômico.


Segundo os levantamentos mais recentes do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), órgão oficial da Argentina, os números são:

Pobreza: 32,3% da população dos aglomerados urbanos pesquisados no primeiro semestre de 2026.

Extrema pobreza: 7,5% da população no mesmo período.

Desemprego: 7,9% no segundo trimestre de 2026.

Inflação: 1,9% em setembro e 33,4% no acumulado de 12 meses.

PIB: retração de 0,6% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior.

Atividade econômica: queda de 2,9% em julho na comparação com junho, após ajuste sazonal.

O ajuste de Milei conseguiu reduzir a inflação e produzir resultados fiscais defendidos por seu governo. Os números, entretanto, também mostram que o controle das contas públicas não assegurou uma recuperação contínua do emprego e das condições de vida.


A pobreza aumentou ou diminuiu na Argentina de Milei?

A pobreza voltou a crescer na Argentina em 2026. Os dados divulgados pelo Indec em setembro mostram que 32,3% da população pesquisada estava abaixo da linha da pobreza no primeiro semestre deste ano, contra 28,2% no segundo semestre de 2025.


A alta de 4,1 pontos percentuais representa uma reversão da melhora registrada ao longo do ano passado. Cerca de 9,7 milhões de pessoas viviam na pobreza nos 31 aglomerados urbanos pesquisados.


O governo Milei assumiu o país em meio a uma grave crise econômica. No primeiro semestre de 2024, a pobreza chegou a 52,9%, antes de iniciar uma trajetória de queda que levou o índice a 28,2% no encerramento de 2025. A nova elevação mostra que a recuperação perdeu força.


A situação também piorou entre os mais pobres. A extrema pobreza passou de 6,3% para 7,5% entre os dois últimos semestres pesquisados.


A elevação é especialmente preocupante porque ocorre depois de anos de sacrifícios impostos pelo ajuste fiscal. A promessa de que a contenção das despesas abriria caminho para uma recuperação sustentada da economia esbarra, agora, no aumento do número de pessoas sem renda suficiente para atender às necessidades básicas.


A Fórum já havia mostrado o agravamento da situação social argentina, acompanhado por dificuldades enfrentadas por empresas e consumidores.


Qual é a inflação na Argentina em 2026?

A inflação argentina foi de 1,9% em setembro de 2026, conforme o Indec. No acumulado de 12 meses, os preços subiram 33,4%.


A redução da inflação é um resultado importante do governo Milei. Quando assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, a Argentina enfrentava uma escalada de preços que corroía rapidamente o poder de compra da população.


O problema é que inflação menor não significa redução dos preços. Os produtos continuam encarecendo, embora em ritmo inferior ao observado nos momentos mais graves da crise.


Em setembro, os gastos com moradia, água, eletricidade, gás e outros combustíveis subiram 3,1%. Educação avançou 3% e saúde, 2,4%, todos acima da inflação geral do mês.


A política de retirada de subsídios e os reajustes de serviços essenciais pesaram sobre o orçamento das famílias. Para trabalhadores e aposentados com renda insuficiente, a desaceleração dos preços não elimina as dificuldades provocadas pelo encarecimento do custo de vida.


Como está o desemprego na Argentina de Javier Milei?

O desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, segundo o Indec. O número expõe outra fragilidade da recuperação prometida por Milei.


A política de austeridade foi acompanhada por cortes de postos de trabalho no setor público e dificuldades na atividade produtiva. O emprego privado formal também sofreu perdas.


Os efeitos aparecem na indústria. Em julho de 2026, a produção industrial manufatureira argentina caiu 4,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As vendas dos supermercados, medidas a preços constantes, recuaram 2,1% na mesma comparação.


No Brasil, sob o governo Lula, a taxa de desemprego foi de 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026, de acordo com o IBGE. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores ocupados chegou a R$ 3.777.


As pesquisas dos dois países possuem metodologias e períodos de referência diferentes, mas os resultados revelam situações distintas dos respectivos mercados de trabalho.


O contraste ganhou relevância no debate porque Lula defendeu um projeto de crescimento com geração de empregos e inclusão social, enquanto Flávio evitou detalhar as consequências da política de austeridade defendida por integrantes de sua equipe.


A Argentina está em recessão econômica?

A Argentina apresenta sinais de aproximação de uma nova recessão, embora os dados disponíveis até 19 de outubro ainda não permitam confirmar dois trimestres consecutivos de queda do PIB.


A economia encolheu 0,6% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, houve crescimento de 2%.


O quadro piorou em julho. O Estimador Mensal de Atividade Econômica, divulgado pelo Indec, registrou queda de 2,9% frente a junho, após ajuste sazonal, e recuo de 1,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Argentina sob Milei fecha 31 mil empresas e 245 mil empregos formais de acordo com agência Brasil.


Em setembro, a Revista Fórum mostrou que o banco JPMorgan apontava riscos de recessão na Argentina, em contraste com as projeções mais otimistas do governo Milei.


A desaceleração preocupa porque atinge uma economia já submetida a um programa de cortes de gastos e redução do investimento público. A fraqueza do consumo e da produção industrial aumenta a pressão sobre o emprego e a renda.


O que é a motosserra de Milei e quais gastos foram cortados?

A motosserra se tornou o principal símbolo da campanha presidencial de Javier Milei em 2023. Com ela, o então candidato prometia cortar despesas públicas, eliminar estruturas do governo e combater o que chamava de privilégios da classe política.


Na Presidência, Milei promoveu uma ampla política de austeridade. Foram reduzidos investimentos em obras públicas, subsídios econômicos e despesas de diferentes áreas da administração. A contenção de gastos também atingiu universidades, aposentadorias e salários do funcionalismo em termos reais.


O governo argentino apresenta o equilíbrio fiscal como condição para estabilizar a economia e recuperar a confiança de investidores. A redução da inflação se tornou seu principal argumento em defesa do programa.


Mas o custo social das medidas provocou manifestações de aposentados, trabalhadores, estudantes e outros setores afetados pelos cortes.


O próprio governo adotou reajustes de tarifas e modificações tributárias em determinados momentos, mostrando que o discurso de redução generalizada do peso do Estado não corresponde necessariamente a uma diminuição de todos os custos suportados pela população.


Modelo Milei no Brasil: Flávio evita explicar os cortes que faria

A associação de Flávio Bolsonaro com o programa econômico argentino vai além da proximidade pessoal com Javier Milei. Em setembro, a Revista Fórum revelou declarações de integrantes da equipe econômica bolsonarista favoráveis à adoção de medidas inspiradas no governo argentino.


Foi essa orientação que Lula colocou em discussão no debate da Band. O presidente cobrou do adversário uma definição sobre a possibilidade de aplicar no Brasil uma agenda de cortes semelhantes aos promovidos por Milei.


A cobrança ocorreu num momento em que a Argentina voltou a registrar aumento da pobreza e enfraquecimento da atividade econômica. O senador, entretanto, preferiu atacar Lula e não esclareceu se pretende reproduzir a política de austeridade do aliado.


Enquanto Milei enfrenta as consequências sociais de seu ajuste, o Brasil registra desemprego de 5,3% e aumento do rendimento médio real do trabalho, conforme os dados mais recentes do IBGE. Os indicadores não esgotam a comparação entre os dois governos, mas tornam ainda mais relevante a discussão sobre emprego, renda e gastos públicos.


Flávio prometeu cortar despesas, mas não apresentou no debate quais áreas seriam atingidas nem detalhou se preservaria investimentos em saúde, educação e políticas sociais. Questionado por Lula sobre o modelo de Milei, o senador deixou de explicar à população brasileira as consequências práticas do programa econômico que sua campanha tem defendido.


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