Tarcísio comemora operação contra o PCC, mas esconde coordenação do governo Lula
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comemorou, nesta quinta-feira (28), a deflagração da operação "Carbono Oculto", uma das maiores ações de combate ao crime organizado no setor de combustíveis no Brasil. A operação, que visou desarticular uma rede criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), resultou em cerca de 350 mandados de busca e apreensão e envolveu empresas do setor de combustíveis e instituições financeiras, incluindo nomes conhecidos da Faria Lima, região financeira de São Paulo. No entanto, o governador optou por omitir informações cruciais sobre a atuação do governo Lula (PT) na coordenação da operação.
Em postagem nas redes sociais, Tarcísio destacou a importância do trabalho realizado pelo GAECO e pelas Polícias de São Paulo, fazendo apenas uma rápida referência ao envolvimento da Polícia Federal, da Receita Federal e de outros órgãos federais no cerco contra o PCC. O governador, que se articula para se lançar candidato a presidente em 2026, também não citou em momento algum a participação da Faria Lima no esquema criminoso. Tarcísio espera poder contar com o apoio do mercado financeiro e da elite brasileira em sua provável disputa eleitoral contra o presidente Lula.
“A maior operação de inteligência e combate ao crime organizado no setor de combustíveis da história, a Carbono Oculto, foi deflagrada na manhã de hoje. Trabalho do GAECO com as Polícias de São Paulo que se expandiu para todo o Brasil”, escreveu Tarcísio. Em seu discurso, ele exalta o trabalho de sua gestão, enfatizando a suposta coragem e a determinação do estado de São Paulo em enfrentar grupos criminosos considerados intocáveis. No entanto, a postagem omite - ou ao menos minimiza - o papel do governo federal, com o qual a operação teve estreita colaboração.
A operação "Carbono Oculto" revelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de combustíveis e fundos de investimento, com destaque para o uso de cerca de 40 fundos que movimentavam mais de R$ 30 bilhões em ativos ilícitos. O esquema estava diretamente ligado ao PCC, que utilizava a Faria Lima e outras instituições financeiras para ocultar e movimentar o dinheiro oriundo das fraudes.
Durante a coletiva de imprensa sobre a operação, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, fez questão de ressaltar a importância da colaboração entre os diversos níveis de governo. A operação foi coordenada por uma força-tarefa que contou com a participação da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e outras agências, em uma demonstração clara de integração entre o governo federal e os estados no combate ao crime organizado.
“Hoje é um momento auspicioso para a segurança pública e para o governo, pois estamos testemunhando a realização de uma das maiores operações da história contra o crime organizado”, afirmou Lewandowski. O ministro também destacou que sem essa colaboração interinstitucional, a operação não teria sido possível.
Outro ponto crucial defendido por Lewandowski foi a importância da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança, atualmente em tramitação no Congresso, que visa institucionalizar a cooperação entre as forças de segurança do Brasil. Para o ministro, a PEC é fundamental para garantir uma ação mais coordenada e eficiente no combate às facções criminosas, como o PCC, que continuam a infiltrar seus tentáculos no mercado financeiro e no setor de combustíveis.
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