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MPC vê 'agiotagem' em empréstimos com desconto no salário de servidores em Roraima

Palácio Senador Hélio Campos, sede do governo de Roraima, em Boa Vista. Reprodução/governo de Roraima O Ministério Público de Contas (MPC) de Roraima reco...

MPC vê 'agiotagem' em empréstimos com desconto no salário de servidores em Roraima
MPC vê 'agiotagem' em empréstimos com desconto no salário de servidores em Roraima (Foto: Reprodução)

Palácio Senador Hélio Campos, sede do governo de Roraima, em Boa Vista. Reprodução/governo de Roraima O Ministério Público de Contas (MPC) de Roraima recomendou a suspensão imediata de novos contratos de cartão de crédito consignado para servidores públicos estaduais. O órgão identificou a cobrança de juros abusivos e a falta de transparência que levaram milhares de funcionários ao superendividamento. Uma auditoria realizada com dados da folha de pagamento de maio de 2026 revelou que 4.120 servidores foram afetados e acumularam uma dívida total estimada em mais de R$ 320 milhões. O g1 solicitou posicionamento ao governo do estado e às empresas citadas e aguarda resposta. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Segundo o órgão, as irregularidades, classificadas como "agiotagem institucionalizada", têm origem em normas implementadas durante a gestão do ex-governador Antonio Denarium e do ex-secretário de Administração, Juliano Bacarim. Entenda🔎: esses cartões descontam a dívida direto no salário do servidor. Como os bancos têm a garantia absoluta de que vão receber, os juros deveriam ser baixos. Porém, segundo o MPC, as empresas têm cobrado taxas até três vezes maiores que num empréstimo comum. O órgão aponta "agiotagem institucionalizada", pois o sistema virou uma "armadilha oficial" que sufoca milhares de trabalhadores com dívidas intermináveis. Para frear o problema, o MPC cobra que o governo do Estado cancele o contrato com a Grid Software Ltda., empresa que gerencia o sistema de descontos em folha. O órgão também estabeleceu um prazo de 15 dias para que o governo comprove que adotou as providências e pede que o caso seja enviado à Polícia Civil para investigação. Juros abusivos e risco aos salários Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a diferença nas taxas cobradas. Enquanto um empréstimo consignado tradicional no estado cobra entre 1,70% e 2% de juros ao mês, os cartões consignados aplicavam taxas de 4,5% a 5,5%. No acumulado de um ano, o custo final da dívida poderia ultrapassar os 90%. Para o MPC, a prática é inaceitável porque as duas modalidades possuem o mesmo nível de segurança para os bancos: o desconto direto e automático no salário do trabalhador. Na prática, as instituições financeiras lucravam com juros altíssimos e usavam a estrutura do Estado como garantia de pagamento. A situação saiu de controle após a edição de um decreto estadual que aumentou a margem de desconto nos salários para 55%. Sob a desculpa de facilitar o crédito, a medida expôs os servidores a produtos caros e perigosos. A auditoria encontrou mais de 1,6 mil funcionários que tinham dívidas com quatro ou mais bancos diferentes ao mesmo tempo. Um deles chegou a acumular nove contratos com sete instituições. O que o Ministério Público recomendou Diante das falhas no controle do sistema, que permitiu contratos de alto risco, o MPC fez essas exigências ao Estado: Suspensão imediata de novos contratos de cartões consignados na folha de pagamento; Fim do contrato com a empresa Grid Software Ltda; Criação de um programa estadual para ajudar servidores a renegociarem dívidas; Envio do material à Polícia Civil investigar possíveis crimes financeiros; Abertura de sindicância para investigar os agentes públicos que assinaram o contrato e permitiram as irregularidades no sistema. Parcela 'maquiada' Outra falha descoberta foi a falta de transparência sobre o tamanho real da dívida. Mais da metade dos contratos estava registrada no sistema com a rubrica "01/01" no espaço onde deveria constar a quantidade de parcelas. Isso passava ao servidor a falsa ideia de que o pagamento seria feito em uma única vez. Na realidade, os investigadores descobriram que esses contratos tinham prazos de pagamento que podiam chegar a até 120 meses. Essa 'maquiagem' nos dados impedia que a pessoa soubesse quantas prestações ainda faltavam e qual era o custo total do empréstimo. O MPC também apontou suspeita de venda casada envolvendo a instituição Eagle SCD. Em um dos casos, 15,8% do valor total do empréstimo foi retido logo de cara para pagar um "seguro prestamista", sendo descontado antes mesmo de o dinheiro cair na conta da servidora. Agora no g1 Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

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